A escoliose trata-se de uma torção generalizada das vértebras da coluna, o que causa grave deformidade. Esse desvio na coluna vertebral, normalmente, possui formato de ‘C’ ou ‘S’ podendo provocar dores na pessoa, além de dificultar movimentos corporais como rotação, extensão e inclinação das costas. Embora esta patologia não tenha cura completa, o tratamento adequado feito no momento certo melhora a harmonia corporal, a mobilidade de quem tem a doença e evita a evolução da escoliose, podendo inclusive eliminar a necessidade de cirurgia. Por isso, exercícios fisioterápicos, práticas de pilates e alguns esportes podem servir de ótimos aliados parar tratar e prevenir o agravamento do seu quadro clínico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2 a 3% da população mundial sofre de escoliose, o que seria algo em torno de 6 milhões de brasileiros. Para alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado a OMS instituiu o "Junho Verde", Mês de Conscientização da Escoliose. No entanto, antes de iniciar o processo de tratamento é importante realizar exames específicos para identificar qual é a classificação da escoliose, sendo elas: escoliose estrutural, escoliose funcional, curvatura primária e curvatura secundária.

- Escoliose estrutural


Esta classificação acompanha a rotação dos pontos vertebrais do corpo humano. Ou seja, as pessoas que possuem esse tipo de patologia não têm uma mobilidade normal, pois, perde a sua flexibilidade natural para realizar movimentos de inclinação influenciando a sua estrutura.

Em boa parte dos casos, esta patologia forma curvas em C ou S na coluna e em certas situações ela ainda pode causar várias curvas secundárias na vértebra. Nesse sentido, a escoliose estruturada é sempre progressiva durante os anos de desenvolvimento ósseo, principalmente durante o surto de crescimento que ocorre na pré-adolescência.

- Escoliose funcional


Neste caso, a escoliose não é estruturada como no outro tipo, o desvio da coluna não acompanha a rotação dos pontos vertebrais e a coluna é flexível ao realizar os movimentos de flexão e inclinação. Assim, a patologia pode ser corrigida se houver um bom tratamento, ajudando na reversão da curvatura. Apesar que, o desvio de qualquer forma prejudica a vida do ser humano trazendo dores e mau alinhamento causando problemas para o seu funcionamento.


- Curvatura primária


Conhecida também como primeira curvatura, essa escoliose faz com que a coluna tenha um formato de C. Geralmente, ocorre na região torácica e é conhecida como um nível mais leve da escoliose.

- Curvatura secundária


Esse tipo de escoliose ocorre logo após a curvatura primária, porém, compensando-a na direção inversa formando um S. Se localiza logo em baixo ou acima da curvatura primária, formando uma menor angulação.

Sendo assim, quanto maior a curvatura lateral, maior o risco de rotação vertebral e maior a possibilidade de surgir alteração cardiopulmonar, como a diminuição da capacidade vital.

Graus da escoliose


A escoliose possui graus diferentes que são tratados conforme a intensidade da curvatura sendo:

10º - considerada normal e não é necessário tratamento;

20º - escoliose leve onde o tratamento é conservador;

20 e 40º - escoliose moderada onde o tratamento é conservador e/ou com uso de colete;

40 a 50º - escoliose grave onde o tratamento é realizado apenas com cirurgia.

A especialista no tratamento da coluna vertebral, Dra. Corina Carlotto, em entrevista para o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional na 9ª Região (CREFITO-9) explica que o tratamento irá variar conforme o grau da escoliose. "Em contexto geral, até os 20 graus as intervenções fisioterapêuticas podem conter o avanço da doença, dos 20 aos 45 graus é necessário o uso do colete além da Fisioterapia, acima de 45 graus é indicada intervenção cirúrgica caso essa curva não estabilizou, neste caso o Fisioterapeuta trabalha no processo de reabilitação pós cirúrgica. Ou seja, em todos os graus o profissional de Fisioterapia é essencial", esclarece Corina.


Dra. Corina, também ressalta que na área da fisioterapia além da Reeducação Postural Global (RPG) são utilizadas técnicas internacionais como a italiana SEAS (Scientific exercises approach to scoliosis) na tradução livre, exercícios científicos na abordagem da escoliose e o método alemão SCHROTH. Todas as práticas tem como objetivo inibir o avanço das curvas patologias e, claro, melhorar a qualidade de vida do paciente.


Exercícios indicados


De maneira geral, os exercícios que estimulam, igualmente, os dois lados do corpo são ótimas opções para quem tem escoliose. Natação, ioga, pilates, caminhada, corrida, hidroginástica e, em alguns casos, musculação funcionam como um medicamento para melhora do quadro clínico. O quiropraxista Jason Gilbert, afirma que essas atividades físicas trabalham a simetria e o desenvolvimento muscular de ambos os lados. A natação, por exemplo, se destaca por fortalecer e alongar os músculos de forma simultânea. "É um ótimo esporte por não ter impacto, mobilizar o corpo todo e ser uma atividade aeróbica", afirma o fisioterapeuta Eduardo Benites, especialista em RPG.

Entretanto, somente a natação não consegue corrigir a curvatura. É necessário que o esporte faça parte do tratamento e seja acompanhado por um ortopedista ou por um fisiatra. No geral, o que todas essas atividades simétricas fazem é ajudar a evitar uma piora da escoliose.

Exercícios que precisam de uma atenção maior


Como foi dito acima, os exercícios mais recomendados são aqueles que estimulam os dois lados do corpo. Dessa forma, os esportes como o handball, tênis, basquete e outros exercícios que exigem muito mais um lado do corpo do que o outro ocupam os últimos lugares da lista de atividades físicas indicadas. "Alternar essas atividades a outras, como caminhada e corrida, tende a ser uma boa saída para equilibrar o desenvolvimento muscular", sugere Eduardo. O fisioterapeuta também ressalta a importância de sempre trocar o peso de um ombro para o outro ou de um braço para o outro ao carregar mochila, bolsa e sacolas, pois, isso ajuda a evitar o agravamento do desalinhamento corporal provocado pela escoliose.

Outras atividades como corrida, bicicleta e exercícios aeróbicos merecem atenção, tendo em vista dois fatores: o impacto dos movimentos nas articulações e o alongamento, que prepara os músculos para responder aos exercícios. Algumas ações que ajudam a prevenir lesões ou inibem a piora da escoliose são usar calçados adequados para a atividade, evitar solos rígidos ou muitos acidentados e treinar por um período que respeite as limitações do seu corpo.

A musculação, feita com orientação de um fisioterapeuta ou de um professor de Educação Física especializado em desvios de coluna, complementa o tratamento de escoliose. Isso porque os exercícios fortalecem os músculos do abdômen, que dão sustentação à coluna, e os próprios músculos das costas. Mas, é preciso evitar cargas muito pesadas, evitando encurtar ainda mais as fibras, e jamais dispensar o alongamento antes e depois dos exercícios.


"No caso de exercícios específicos para as costas, a atenção tem de ser redobrada. Há o risco de aumentar ainda mais a compressão na coluna vertebral, provocando dor e aumentando o grau de curvatura da escoliose", afirma o fisioterapeuta.

Uma das melhores opções para estimular a postura correta, com a coluna alinhada e o quadril encaixado é o Balé clássico. No entanto, essas aulas podem ser perigosas para a escoliose ao favorecer mais um lado do que o outro já que a tendência é que a pessoa use sempre o mesmo lado do corpo ao fazer exercícios na barra. Para evitar esse risco, o melhor é alternar os lados para começar os exercícios: se começar com o direito, da próxima vez inicie com o esquerdo.

Pilates


A prática do pilates para quem tem escoliose garante vários benefícios, tais como:

Fortificação do corpo;

Melhora do condicionamento físico;

Melhora da respiração;

Reabilitação do corpo;

Melhora do sono;

Melhora do equilíbrio;

Promove o relaxamento;

Melhora da resistência;

Correção da postura;

Aumenta o bem-estar.

Entre os exercícios utilizados para tratamento desta patologia estão:

- Respiração direcionada no Mermaid


Neste exercício a pessoa fica sentada com os membros inferiores em flexão e rotação externa dos quadris e coluna neutra. Dessa maneira, ela inclina o tronco para o lado da curvatura escoliótica, apoia a mão ipsilateral na nuca e a outra mão nas últimas costelas do lado côncavo.

Com essa posição, deve-se realizar a respiração e progredir com o aumento do tempo respiratório. Além disso, é preciso permanecer com o crescimento axial durante os ciclos respiratórios e avançar com a resistência à medida que a capacidade respiratória aumenta.


Este exercício de pilates para escoliose tem por objetivo direcionar a expansão torácica para o lado côncavo da curvatura escoliótica.

- Roll up com tonning ball


O praticante de pilates deve se deitar de barriga para cima com membros inferiores estendidos, membros superiores em flexão de ombros a 180°, mas, sem elevar as costelas e uma tonning ball nas mãos. Feito isso, realiza-se a flexão de tronco e de ombros ao mesmo tempo, elevando um membro inferior, flexionando o quadril, uma mão segurando a tonning ball, realizando a abdução de ombro com rotação de tronco. A mão oposta segura a perna que eleva, mantendo o crescimento axial. Após concluir, a pessoa deve alternar os lados e continuar realizando o exercício.

Se não for possível elevar o tronco a partir dos membros inferiores em extensão, pode apoiar 1 membro inferior no solo. Este exercício também pode ser realizado sem o tonning ball nas mãos.


Para o tratamento da escoliose, o roll up com tonning ball tem por objetivo mobilizar a coluna em flexão e rotação, fortalecer os músculos abdominais e o manguito rotador e melhorar a coordenação motora.

- Swan na chair


Deitado de barriga para baixo no solo com membro inferior em extensão, a pessoa deve colocar as mãos no pedal e realizar a hiperextensão do tronco à medida que o pedal está descendo. Porém, ao realizar esse movimento é preciso ter cuidado para não perder a estabilidade escapular, diminuir a contração do power house ou sentir dor nos paravertebrais.

Este exercício a intenção de fortalecer os músculos paravertebrais, glúteo máximo, isquiotibiais e tríceps sural.

- Abs obliques


Sentado de costas no assento da Chair com joelhos em extensão, o praticante apoia uma mão no pedal e outro membro superior em flexão de ombro a 90°. Feito isso, a pessoa realiza a descida do pedal estendendo e rodando o tronco para o lado do membro superior que está apoiado no pedal. Nesse sentido, a cervical também deve acompanhar o movimento.

Para deixar o exercício mais fácil, a caixa de extensão da Chair ou bola suíça pode ser colocada de forma que apoie os membros inferiores.

O objetivo deste exercício é fortalecer os músculos abdominais com ênfase nos oblíquos internos e externos, fortalecer os quadríceps em isometria e alongar peitorais.

- Sit up


Esse exercício é realizado sentado sobre os ísquios no barrel, pés no espadar e membros inferiores flexionados a aproximadamente 90° de joelhos e quadril, ombros flexionados a 90° e cotovelos estendidos. Sob o barrel, o praticante irá realizar o enrolamento da coluna em flexão simultaneamente com a abdução horizontal dos ombros com a faixa elástica e retornar à posição inicial. É importante certificar-se de que o enrolamento da coluna lombossacra está sendo realizado de forma correta, permitindo a mobilidade.

Este exercício de Pilates para escoliose tem por objetivo aumentar a mobilidade da coluna e fortalecer os músculos abdominais e manguito rotador.

Além dos exercícios mencionados, o pilates conta com vários outros que são ótimos para quem tem escoliose.


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Fonte: Crefito 9, Minha Vida e Revista Pilates

Imagem: 123RF