A Osteopatia é um método diagnóstico e terapêutico que faz uso do contato manual voltado para o corpo e suas dores. Esta abordagem da saúde foi desenvolvida pelo médico Andrew Taylor Still, em 1874, e sua avaliação e diagnóstico são centrados na individualidade do paciente e na inter-relação de seus tecidos e de seus sistemas corporais, bem como na interação destes com o meio.

A metodologia da osteopatia é baseada no conhecimento aprofundado da anatomia, fisiologia e patologia do corpo humano, permitindo ao profissional a identificação e tratamento das disfunções de mobilidade dos tecidos corporais, como por exemplo, articulações, ligamentos, músculos, nervos, vasos, vísceras, membranas, entre outros. Além disso, o foco maior está na origem da dor e não onde ela está localizada, ou seja, entende-se que a dor não é a causa principal da lesão, mas que elas podem ser ocasionadas devido a um desequilíbrio.

Na visão osteopática, a mudança de mobilidade tecidual participa do comprometimento da função não só do tecido disfuncional, mas também de todo o organismo que com ele interage. Nessa perspectiva, tanto a avaliação quanto o tratamento são realizados com técnicas manuais específicas, elegidas pelo osteopata e voltadas para cada tipo de tecido, sistema, patologia e paciente, tornando-se desta forma um tratamento único e individualizado, assim como o ser humano.

O tratamento de osteopatia costuma ser bastante utilizado para dores nas costas, causa que atinge 36% da população brasileira de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas, segundo a fisioterapeuta integrativa Maria Eugênia Senra Vieira, especialista em osteopatia, todo e qualquer tipo de dor, seja ela aguda ou crônica, pode ser tratada pela osteopatia. "Dores cervicais, torácicas ou lombo-sacras normalmente apresentam excelentes resultados", afirma. Ela também explica que a osteopatia não é recomendada somente nos casos de metástase em geral, e estados de caquexia, pois, nestas situações a pessoa não terá de onde tirar recursos para seu restabelecimento.

Problemas comuns X Osteopatia


Entre os problemas mais comuns que a osteopatia pode ajudar no tratamento, estão:

Dores na coluna;

Dores nas articulações;

Torcicolos;

Labirintites;

Hérnia de disco;

Dores de cabeça e nas articulações tempero-mandibulares (ATM);

Problemas digestivos;

Problemas pulmonares;

Distúrbios do sono;

Sistema nervoso;

Ansiedade e depressão.


Princípios fundamentais da osteopatia


Os princípios fundamentais da Osteopatia propostos pelo Dr. Andrew Taylor Still se dividem em quatro, sendo eles:


1 – Estrutura e função estão inter relacionadas em todos os níveis: o médico Andrew Taylor Still queria dizer que qualquer tecido ou sistema corporal só pode ser saudável se a estrutura e a função estiverem em harmonia e que se houver algum desequilíbrio, cedo ou tarde, isso se transformará em uma dor, sintoma ou patologia.

2 – A unidade do corpo: naquela época o Dr. Still percebeu que tudo no corpo está interligado e interagindo, que cada osso, víscera ou músculo que esteja com alguma alteração vai gerar repercussões em vários outros tecidos e sistemas, pois o corpo é um só.

3 – A autocura: outra percepção sobre o funcionamento do corpo que o médico aderiu aos seus tratamentos é a de que o nosso organismo tem a capacidade de autocura, que em termos técnicos chamaríamos de busca pela homeostase e controle da alostase. Desde o ponto de vista osteopático, o que o terapeuta precisa fazer é encontrar o que está impedindo que o corpo realize a homeostase. Em geral, são restrições articulares, musculares, faciais ou mesmo viscerais que podem ser ajustadas com uma abordagem manual.

4 – A lei da artéria: O Dr. Still dizia que qualquer tecido só pode funcionar adequadamente se estiver bem vascularizado. Por isso, dentro do pensamento osteopático é importante eliminar qualquer alteração da vascularização que ocorra por compressões, estiramentos ou por alterações do sistema nervoso autônomo.

Prevenção


A fisioterapeuta, Maria Eugênia, esclarece que a osteopatia pode ser realizada mesmo se o paciente não estiver com sintomas aparente, uma vez que é um tratamento preventivo, que vai regular todo o corpo, mesmo que a pessoa ainda não esteja tendo sinais. "Normalmente, para quem não tem sintomas físicos ou emocionais, o que no mundo de hoje é muito difícil, o recomendado é uma visita ao osteopata pelo menos duas vezes ao ano", indica.

Tratamento


O tratamento começa com uma anamnese, que é uma série de perguntas e testes clínicos com a finalidade de determinar a cadeia lesional: de onde vem a queixa e o trajeto da lesão, mais especificamente onde começa o problema. Segundo a especialista Maria Eugênia, é esse o local que deve ser primeiro abordado. "Por exemplo: se a paciente tem uma cicatriz cesárea, que é uma área de hipomobilidade, com pouco movimento, a lombar irá se manter hipermóvel para compensar, e a paciente terá dores na lombar. Então, neste caso, tem que tratar a cicatriz para melhorar a dor lombar", explica.

Os osteopatas entendem que a causa da dor em uma pessoa pode ser um problema diferente do que está gerando a mesma dor em outra. Por isso, o tratamento tem que seguir uma individualidade biológica. "O objetivo principal da osteopatia é a regulação do corpo, sua homeostase. Trata-se o indivíduo como um todo, liberando todos os obstáculos, seguindo a anatomia e fisiologias humanas, que estão obstruindo o funcionamento perfeito do corpo", explica a osteopata.

Dependendo da anamnese, a recomendação de tratamento é uma ou duas vezes na semana no primeiro mês, e aos poucos vai espaçando, até chegar a uma ou duas visitas mensais. "Tudo vai depender do sintoma e do perfeito equilíbrio para o corpo alcançar a melhora", afirma a especialista.

A prática da osteopatia pode ser praticada por profissionais da fisioterapia desde que os mesmos se especializem no assunto. Porém, além do aprimoramento da técnica o (a) fisioterapeuta que pretende abrir seu próprio negócio ou já trabalha de forma autônoma precisa ampliar seu conhecimento sobre o empreendedorismo e nada melhor do que fazer uma pós-graduação de qualidade.


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Fonte: Associação dos Osteopatas do Brasil (AOB) e ABM + Saúde

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