O crossfit é uma forma de treinamento físico considerado de alta intensidade sendo voltado para o condicionamento físico da pessoa que pratica esta modalidade. Essa forma de treinamento foi desenvolvida no início dos anos 2000 pelo ginasta Greg Glassman, e seu método se baseia em exercícios funcionais. Com o grande número de adeptos dessa prática, muitos profissionais da fisioterapia questionam se os exercícios podem favorecer o risco de lesões ao invés de proporcionar diversos benefícios ou se este risco pode estar associado com a prática errada do treinamento físico.

De acordo com um estudo brasileiro realizado por Jan Willem Cerf Sprey, médico ortopedista e especialista em medicina esportiva da Santa Casa de São Paulo, publicado na revista Orthopaedic Journal of Sports Medicine, 31% dos praticantes de crossfit já sofreram alguma lesão desde que começaram a treinar.


Os pesquisadores perceberam que essa porcentagem se comparada com outras modalidades que realizam levantamento de peso, como musculação, ginastica olímpica, corrida e triatlo, acaba sendo similar com o de atletas competitivos e recreacionais que se machucaram. Já no futebol, 60% das pessoas relataram que tiveram alguma lesão, e isso apenas no período de um ano.

Outro estudo científico, publicado no The Journal of Strength & Conditioning Research, encontrou resultados semelhantes e apontou que, a cada mil horas de treino, acontecem 3,1 lesões no crossfit, enquanto no futebol essa taxa é de 7,8; e no judô, de 16,3. "A conclusão é que o crossfit pode lesionar assim como qualquer outro esporte com características semelhantes, e machuca menos do que esportes de contato, como futebol, rúgbi, basquete, vôlei e handebol", explica Sprey.

Entretanto, não há como negar que os exercícios de calestenia e levantamento de peso podem causar sérios ferimentos se o praticante não tomar alguns cuidados. Para minimizar esse risco, o fisioterapeuta americano Adam Discepolo, separou algumas dicas para que as pessoas que praticam crossfit possam se exercitar sem dores:

- Escolha a academia certa para você


Mas, como fazer a escolha certa? Adam explica que, apesar de existir uma grande variedade de lugares próximos, optar por um instrutor experiente é o mais importante. "Com a complexidade dos exercícios, é essencial ter alguém que mostre as técnicas corretas e também as variações com base em suas necessidades ou capacidade física". Para avaliar a academia, a sugestão do profissional é assistir uma aula e observar como é a interação entre professores e alunos.

- Conheça seus limites


Uma lição valiosa para o crossfit ou qualquer outro exercício é: escute o seu corpo e identifique suas limitações. "Com o alto volume de repetições do treino, é importante ouvir o seu corpo e ser capaz de diferenciar entre músculo dolorido e dor real, que podem ser o início de uma lesão", explica Adam.

- Foco na flexibilidade


Isso não significa tocar os dedos dos pés. Existe um motivo muito importante para trabalhar a sua mobilidade e flexibilidade, especialmente se você é um marinheiro de primeira viagem. "Para evitar lesões, você deve preparar o seu corpo para receber diferentes estímulos. Não adianta tentar realizar 200 burpees se você não está com sua flexibilidade afiada", conta. A melhor solução, segundo Adam é aquecer sempre.

Tire o famoso dia de descanso


O corpo também precisa de uma folga, independente se a pratica for o CrossFit ou qualquer outro tipo de exercício. Isso permite que os músculos, ligamentos e articulações se recuperem dos programas de alta intensidade. Regra de ouro: para cada três meses de atividade intensa como CrossFit, sendo de cinco a seis dias por semana, tirar uma semana de descanso para se recuperar.

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Fonte: Segredos do Mundo, Boa Forma e VivaBem

Imagem: 123RF