Conhecida como redução de estômago, a cirurgia bariátrica é um procedimento que modifica o sistema digestivo com o objetivo de diminuir a quantidade de comida suportada pelo estômago ou para alterar o processo natural da digestão. Esse método faz com que pessoa perca peso, pois, favorece a redução de muitas calorias absorvidas no organismo, além de reduzir a produção do hormônio que causa fome e aumentar a produção do hormônio responsável pela sensação de saciedade.


Esse hormônio que leva para o cérebro a informação de que estamos sentindo fome é chamado de grelina. Ele é produzido no estômago, principalmente no período antes das refeições, diminuindo conforme a pessoa termina de comer.

Já em relação a sensação de saciedade o hormônio se chama leptina. Diferente da grelina, ele é produzido através das células adiposas, ou seja, na gordura, e manda informação para o cérebro que a pessoa já comeu o suficiente, naquele momento em que há gordura necessária para dar a energia que o organismo precisa.

Sendo assim, ao reduzir a grelina, a pessoa sente menos fome e, ao aumentar a leptina, a sensação de saciado com mais facilidade. Com isso, a cirurgia bariátrica se tornou uma das melhores opções para quem sofre com obesidade e sobrepeso.

Para quem é indicada a cirurgia bariátrica?


Primeiramente, antes de analisar sobre este procedimento é importante saber se a pessoa já tentou outras formas de emagrecimento. Se a resposta for que sim, porém, sem sucesso, ou ainda se o excesso de peso provoca um certo risco na vida do indivíduo, a cirurgia bariátrica começa a ser uma opção.


De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, a cirurgia de redução de estômago só é recomendada em idades que vão de 16 a 65 anos, nas quais, contenham IMC igual ou superior a 35 kg/m² nos casos de presença de doenças de risco cardiovascular elevado.

Quem possui IMC igual ou superior a 40 kg/m² e sem perda de peso mesmo com acompanhamento médico e nutricional comprovado por, pelo menos, 2 anos e pessoas com IMC igual ou superior a 50 kg/m² sem restrições também podem fazer o procedimento cirúrgico.

Quem não pode fazer?


Embora tenha diversos benefícios além da perda de peso, como por exemplo, a melhora ou até mesmo cura de doenças associadas à obesidade, existem certos casos que a cirurgia bariátrica não é recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil, tais como:


Pessoas com transtorno psiquiátrico não controlado;

Usuários de drogas e bebidas alcoólicas;

Pessoas com doença cardíaca ou pulmonar grave e descompensada;

Hipertensos portais com varizes esofágicas;

Pessoas com doenças inflamatórias do trato digestivo alto; e

Portadores da síndrome de Cushing por câncer.

Como é realizado e quais são os tipos de cirurgia bariátrica?


Entre as cirurgias bariátricas aprovadas no Brasil, além do balão gástrico que não é cirúrgico, estão: o Bypass gástrico, a banda gástrica ajustável, a gastrectomia vertical e a derivação bileopancreática.

Bypass gástrico


Também chamado de gastroplastia com desvio intestinal em "Y de Roux", o bypass gástrico diminui entre 40% e 45% do peso inicial do paciente. Esse tipo de cirurgia é muito utilizado no Brasil e corresponde a 75% das cirurgias realizadas.

O método utilizado nesse procedimento, grampeia parte do estômago, reduzindo o espaço para os alimentos, e assim, um desvio intestinal é feito. É com o bypass gástrico que os hormônios da fome diminuem e os da saciedade aumentam.

Banda gástrica ajustável


Esse tipo de cirurgia é menos realizado e corresponde a 5% das cirurgias bariátricas feitas no Brasil. A banda gástrica ajustável reduz entre 20% e 30% do peso inicial do paciente. No entanto, diferente do bypass gástrico, esse procedimento ajustável não promove alterações nas produções de hormônios.

Como um dos benefícios, a cirurgia contribui para o tratamento da diabetes. O método utilizado instala um anel de silicone inflável ao redor do estômago que torna possível o controle do esvaziamento do órgão ao apertá-lo um pouco. Além disso, pode ser reversível.


Gastrectomia vertical


Esse procedimento é mais novo em relação aos outros e traz eficácia no controle da hipertensão e dos níveis de colesterol e triglicérides, além da redução do hormônio da fome e da permanência da absorção de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B.

Nesse caso, o estômago é transformado em um tubo de 80 a 100 ml ao retirar cerca de 70% a 85% do estômago do paciente. Se o método não funcionar, é possível transformá-lo em bypass gástrico ou derivação bileopancreáticas, porém não é reversível.

Derivação bileopancreáticas


É uma cirurgia menos realizado aqui no Brasil, marcando 5% dos procedimentos feitos. A derivação bileopancreática é uma associação da gastrectomia vertical com o desvio intestinal. Esse desvio reduz a absorção dos nutrientes, promovendo o emagrecimento.

Nesse procedimento, a anatomia básica e a fisiologia de esvaziamento do estômago são mantidas, porém 85% do estômago é retirado, promovendo a perda de 40% a 50% do peso inicial do paciente.

Balão intragástrico (Terapia auxiliar)


O balão intragástrico é um implante de prótese de silicone feito por meio da endoscopia. Ele tem o intuito de diminuir a capacidade gástrica e provocar saciedade. É indicado para pessoas com sobrepeso ou no pré-operatório de pacientes com IMC igual ou superior a 50 kg/m².

Como foi dito acima, o procedimento não é cirúrgico. O paciente deve ficar com o balão, que é enchido com meio litro de líquido azul de metileno, por um período médio de seis meses. Em caso de vazamento ou rompimento, o líquido poderá ser notado na urina pela cor azul.

Achou interessante saber mais sobre a cirurgia bariátrica? Se você atua como fisioterapeuta ou em outras áreas da saúde e deseja trabalhar de forma transdisciplinar em procedimentos como o de redução de estômago, esse é o momento certo para você começar sua pós-graduação. Matricule-se na especialização em Atuação Transdisciplinar em Obesidade, Cirurgia Bariátrica e Metabólica no Incursos. Dê um passo à frente na sua carreira profissional e se torne referência no mercado de trabalho.


Fonte: Incursos

Imagem: 123RF