Aquele ditado que diz que todo mundo nasce, cresce, se reproduz e morre, hoje em dia não é tão verdadeiro pois, não são todas as pessoas que optam por ter filhos. E, nem todas chegam a terceira idade, mas, o fato é que a cada dia ao mesmo tempo que temos mais um dia de vida estamos envelhecendo. No entanto, existem alguns tabus e questionamentos a respeito da fase idosa e nada melhor do que esclarecer essas dúvidas. Para explicar o que é mito e o que é verdade o geriatra e cardiologista do Instituto Longevità, Roberto Dischinger Miranda, e a a nutricionista especializada em gerontologia Maristela Strufaldi responde as principais perguntas sobre o envelhecimento. Confira.


Quando chega a terceira idade, ficamos mais esquecidos


Mito! "Quando falamos de envelhecimento, temos alterações em todos os sistemas orgânicos. Do ponto de vista neurológico, existem modificações sim, porém, nem sempre elas comprometem a função cerebral do indivíduo", esclarece o médico. Certas modificações no estilo de vida fazem com que o idoso fique menos atento ou participativo. As pessoas mais jovens estão mais ligadas aos fatos que acontecem ao seu redor. Conforme a pessoa fica mais tranquila, a tendência é que a facilidade de assimilação dos fatos seja diminuída. "A nossa memória está relacionada à atenção. Pelo próprio estilo de vida que levamos, implica em menor registro, menor foco de memória. Nem sempre lapsos de memória sinalizam doença", explica Roberto.

Conforme ficamos mais velhos nos exercitamos menos


Verdade! As mudanças no organismo que são naturais no processo do envelhecimento iniciam aos 30 anos e com elas vem a diminuição das capacidades pulmonar e cardíaca máximas. A repercussão dessas mudanças na vida cotidiana é pequena, mas, a queda de desempenho pode ser facilmente sentida durante os exercícios físicos. "Os exercícios devem ter uma intensidade diferente daquele praticado quando a pessoa era jovem. Mas, em qualquer idade, a atividade física é importante. E a performance ao se exercitar dependerá de cada um, é uma capacidade individual", comenta o geriatra.

Na fase idosa as dores são inevitáveis, especialmente, as que são provocadas pela artrite


Mito! A osteoartrose é uma das enfermidades mais comuns no envelhecimento e causa dor. "Apesar das dores ocasionadas pela degeneração da cartilagem serem consideras comuns, não podemos considerá-las normais. O paciente deve ir ao médico para fazer um tratamento, fisioterapia e controlar o peso", explica o médico.

O desejo sexual é reduzido com o passar da idade


Verdade! De acordo com o geriatra e cardiologista, Roberto, a tendência é que o desejo sexual seja reduzido, por ser algo próprio do envelhecimento humano. No caso das mulheres, o tempo de menopausa faz com que a lubrificação seja diminuída e isso provoca dores durante a penetração. Já nos homens, normalmente, ocorre a disfunção erétil. Entretanto, muitas vezes isso não impede a vida sexual do casal. É importante que os dois estejam bem com a prática, seja uma vez ao dia ou uma vez ao mês.


Após os 60 anos devo procurar um geriatra


Mito! O geriatra é um médico generalista com especialização em doenças mais comuns da terceira idade. Como o processo de envelhecimento começa quando ainda estamos jovens, é possível ir ao geriatra para acompanhar o avanço da idade, como forma preventiva. "Não há nada que impeça a pessoa de envelhecer, o importante é manter a capacidade funcional, motora, física e mental", afirma o médico.

É normal que pessoas acima de 60 anos sintam menos sede


Mito! A estrutura fisiológica não provoca essa reação. "Muitas vezes, o que acontece é que o idoso perde bastante água por um quadro de incontinência urinária ou devido aos remédios diuréticos. Com isso, eles tendem a diminuir a ingestão de água – conscientemente ou não", diz a nutricionista especializada em gerontologia Maristela Strufaldi. O quadro pode levar à desidratação, tontura, problemas intestinais e prejudicar a pele. "Por mais que o corpo não exija, deve-se tomar a mesma quantidade de água que antes", esclarece a especialista.

Pessoas idosas sentem menos sono


Mito! Certas teorias defendem a ideia de que, na realidade, acontece uma mudança na arquitetura do sono. "Muitas vezes, o idoso tem a sensação de que dorme menos ou de que não dormiu bem. Mas nem sempre isso é real", comenta Maristela. Quando a atividade do corpo é reduzida durante o dia, é natural que as horas de sono diminuam. Porém, nem sempre é necessário tratar com medicamentos. Primeiramente, é preciso investigar as causas dessa mudança e, se possível, tratá-las.


O paladar muda com a chegada da idade


Verdade! Isso porque as papilas gustativas da língua, tendem a atrofiar. Isso influencia na percepção do paladar. "Para compensar essa perda, os idosos tendem a buscar alimentos ora muito doces, ora muito salgados", diz a nutricionista.


Com o passar do tempo os músculos desaparecem


Verdade! De acordo com Maristela, a queda funcional do corpo faz com que aumente a quantidade de gordura, diminua a quantidade de massa magra e ocasione a queda no colágeno. Esse quadro é considerado normal com o envelhecimento, e acontece por causa de morte celular e atrofia muscular. Mas, isso pode ser levemente corrigido com atividade física e alimentação balanceada.

Doenças como diabetes e hipertensão são consideradas normais na terceira idade


Mito! Todas as enfermidades, independentemente de quais sejam não podem ser chamadas de normais. Apesar de não ser incomum ter pressão alta, diabetes e catarata, essas doenças não devem ser levadas como uma causa normal, pois, comprometem a vida da pessoa. "O ideal é envelhecer com saúde e bem-estar", afirma Roberto.

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Fonte: Terra

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