A atleta Kadeena Cox, que sofre de esclerose múltipla e corre na categoria T38 para deficientes, ganhou medalha de ouro nos 400 metros, prata nos 100 metros e bronze nos 200 metros.

Cox, que mora em Leeds e estuda fisioterapia na Universidade Metropolitana de Manchester, disse em entrevista para a Frontline: "Foi um campeonato muito bom para mim. Foi um pouco complicado, em termos de gerenciamento da minha condição e porque tive uma lesão, então eu estava um pouco preocupada".

"Eu queria ganhar as 3 medalhas e saí com as três, então eu estou relativamente feliz com a minha performance – especialmente na prova dos 100 metros, porque ela aconteceu depois dos 400 metros, que foi em uma noite ruim para mim. Cerca de oito semanas atrás eu tive uma lesão na musculatura posterior da coxa, o que foi frustrante, já que tive que ficar afastada e senti dores constantes. Então, devo créditos à minha equipe por me fazerem conseguir".

Seu último sucesso foi em sua performance nos Jogos Paraolímpicos do ano passado, no Rio de Janeiro, onde ganhou medalhas em dois esportes diferentes: ouro no ciclismo e bronze no atletismo. Contudo, competir em Londres foi uma experiência "totalmente diferente", segundo a atleta. "Desta vez as multidões estavam torcendo por nós, enquanto no Rio as pessoas estavam, em sua maioria, torcendo para os brasileiros. Ganhar uma medalha em casa foi incrível. O apoio que recebemos e o barulho da torcida foi insano. Esse apoio ajuda você a levantar, ajuda você na pista, faz você querer ganhar a medalha".

Kadeena tem 26 anos e iniciou seu terceiro ano na universidade em setembro. Junto aos seus estudos, ela continuará treinando para outras competições.

Além de se esforçar para o seu sucesso esportivo, Cox conta que também está ansiosa para se tornar uma fisioterapeuta qualificada.

"Provavelmente vou acabar sendo especialista em neuro, e tenho um interesse especial em pediatria, já que trabalhei muito com crianças com paralisia cerebral", disse ela. "Sempre tive interesse em ajudar as pessoas, e passei bastante tempo trabalhando em casas de cuidados e em centros especializados para autistas, onde vi aspectos do trabalho de fisioterapia e seu papel na reabilitação de pessoas. Essa capacidade de ajudar alguém nesse processo, ajudar pessoas a fazerem algo que não podiam fazer antes, é algo muito especial para mim e eu realmente quero ser capaz de fazer isso".

Kadeena competiu como atleta não-deficiente até 2014, quando teve um acidente vascular cerebral e foi diagnosticada com esclerose múltipla.

"Eu tenho distonia no meu lado direito, então eu tenho muitos movimentos e espasmos descontrolados, que podem ficar significativamente ruins, e fraquezas ao longo desse lado", disse ela. "Eu também tenho sensações de queimação e formigamento no lado direito, e em outras áreas eu tenho pouca ou nenhuma sensação. Mas eu estou tão acostumada a lidar com isso que não me parece um problema mais".

Cerca de 150 fisioterapeutas ofereceram suporte para os participantes do Campeonato de Para-Atletismo, assim como para o Campeonato Mundial de Atletismo da Associação Internacional de Atletismo, que acontecerá também em Londres nos dias 4 a 13 de agosto.



Fonte de conteúdo: Chartered Society of Physiotherapy
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