O manguito rotador é formado pelos músculos o supra-espinhal, infra-espinhal, redondo menor e subescapular, e tem como funções principais a estabilização do ombro e auxiliar na dinâmica escapulo-umeral.

A ativação do manguito rotador é essencial em movimentos amplos como elevação do braço acima da altura da cabeça, comum em esportes que envolvem arremessos ou saques e também na natação. Quando estes movimentos são realizados de forma repetitiva, causando fadiga muscular, ou com a técnica inadequada, podem ocasionar lesões como tendinites (principalmente do músculo supra-espinhal), bursite, subluxação anterior da cabeça do úmero e lesão do lábio glenoidal.

Entretanto, a lesão mais comum em trabalhadores ou atletas que utilizam muito o movimento de flexão ou abdução de ombro juntamente com rotação medial é a síndrome do choque do manguito rotador. Por ser um movimento freqüente na natação (principalmente no nado livre, costas e borboleta), a síndrome também é conhecida como "ombro do nadador", e acomete cerca de 50% dos nadadores profissionais. Estes casos envolvem dor e hipersensibilidade da região do ombro, que pioram com a rotação do mesmo.

Existem algumas teorias sobre a causa da síndrome: devido a fatores genéticos, indivíduos com espaço muito estreito entre o acrômio e a cabeça do úmero podem ter os tendões do manguito rotador e a bolsa sinovial apertados cada vez que o braço é elevado, causando friccionamento e desgaste destas estruturas. Outra teoria diz respeito à inflamação do tendão do supra-espinhal por estiramento repetido.

Desta forma, os músculos do manguito não conseguem manter a cabeça do úmero dentro da cavidade glenoidal e o músculo deltóide acaba provocando um desvio superior da cabeça do úmero sempre que realiza a abdução, resultando em choque e desgaste do tendão do supra-espinhal. A terceira possibilidade é que o músculo serrátil anterior, responsável por posicionar a escápula em rotação durante a abdução do úmero, pode ficar fatigado, deixando de rodar a escápula como necessário, limitando o movimento de abdução e causando o choque.

O tratamento desta síndrome é geralmente conservador, com analgesia e cinesioterapia (exercícios específicos). Porém é essencial prevenir este tipo de lesão, realizando trabalhos de flexibilidade, estabilização escapular e correção do gesto esportivo, ministrados pelo técnico esportivo, juntamente com um fisioterapeuta.

Fonte: Denise Pripas